A baixa umidade do ar exige atenção dos moradores de Mato Grosso do Sul, especialmente durante os períodos de estiagem, calor intenso e redução das chuvas. O tempo seco pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, ressecamento da pele, piora de alergias e doenças respiratórias, além de aumentar o risco de incêndios em áreas urbanas e rurais.
Os efeitos costumam ser mais percebidos nas horas mais quentes do dia, quando a umidade relativa do ar tende a atingir os menores índices. A intensidade varia entre as regiões e os municípios do estado, por isso é importante acompanhar os avisos meteorológicos e adotar medidas preventivas mesmo antes do aparecimento de sintomas.
O que significa baixa umidade do ar
A umidade relativa do ar indica a quantidade de vapor de água presente na atmosfera em comparação com o limite que o ar pode suportar naquela temperatura. Quanto menor o índice, maior a tendência de ressecamento das mucosas, da pele e dos olhos.
De acordo com referências utilizadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), valores inferiores a 30% já caracterizam uma condição de atenção. Faixas entre 20% e 12% são associadas a níveis mais críticos e podem exigir cuidados ampliados, principalmente entre pessoas mais sensíveis ao calor e ao ar seco.
O Inmet costuma representar em seus mapas as áreas com umidade abaixo de 30% em amarelo e aquelas abaixo de 20% em laranja. Os avisos podem mudar rapidamente conforme a passagem de frentes frias, a ocorrência de chuva e a atuação de massas de ar quente e seco.
Por isso, um alerta meteorológico não deve ser interpretado como uma previsão uniforme para todo o estado. A população deve consultar a área de abrangência, o período de validade e os índices previstos para cada município.
Quais problemas o tempo seco pode causar
A baixa umidade favorece o ressecamento das mucosas das vias respiratórias. Como consequência, algumas pessoas podem apresentar tosse, irritação na garganta, congestão nasal, coriza, espirros e sensação de desconforto ao respirar.
Também pode haver piora de quadros preexistentes, como rinite, sinusite, asma e bronquite. Crianças, idosos, pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares e indivíduos que trabalham ou praticam atividades ao ar livre precisam de atenção especial.
Nos olhos, o ar seco pode causar ardência, vermelhidão e sensação de areia. Na pele, os sinais mais comuns são descamação, coceira, rachaduras e irritação, principalmente nas mãos, nos lábios e nas áreas expostas.
A desidratação é outro risco. Em dias quentes e secos, o corpo perde água com maior facilidade por meio do suor e da respiração. Mesmo quando a sede não é intensa, é importante manter a ingestão regular de líquidos.
Como se proteger da baixa umidade
Beba água ao longo do dia
A hidratação deve ser distribuída durante todo o dia, sem esperar o aparecimento da sede. A água deve ser a principal opção, mas frutas, sucos naturais e outros alimentos ricos em líquidos também podem contribuir para a reposição de fluidos.
Pessoas com restrição de ingestão de líquidos por orientação médica devem seguir a recomendação do profissional que acompanha o caso. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas não ajuda na hidratação e pode favorecer a perda de líquidos.
Evite esforço físico nos horários mais quentes
Atividades físicas ao ar livre devem ser reduzidas ou transferidas para os períodos de menor calor, principalmente quando os índices de umidade estiverem muito baixos. Entre o fim da manhã e o meio da tarde, a combinação de calor, sol e ar seco costuma ser mais desconfortável.
Quem precisar trabalhar ou permanecer ao ar livre deve fazer pausas, buscar sombra, usar roupas leves e ampliar a ingestão de água. Em caso de tontura, fraqueza, dor de cabeça, náusea ou mal-estar, a atividade deve ser interrompida.
Umidifique o ambiente com cuidado
O uso de umidificadores pode aliviar o desconforto em ambientes fechados, mas os aparelhos precisam ser higienizados conforme as instruções do fabricante. O excesso de umidade e a falta de limpeza podem favorecer a proliferação de fungos e ácaros.
Também é possível melhorar o conforto do ambiente com recipientes de água ou tecidos úmidos, desde que sejam mantidos limpos e fora do alcance de crianças. A circulação de ar deve ser preservada para evitar o acúmulo de poluentes e alérgenos.
Cuide da pele, dos lábios e dos olhos
Hidratantes podem ajudar a reduzir o ressecamento da pele, especialmente depois do banho. Para os lábios, o uso de protetor labial diminui o risco de rachaduras. Banhos muito quentes e demorados devem ser evitados porque retiram parte da proteção natural da pele.
Em caso de irritação ocular, a pessoa deve evitar esfregar os olhos. Soluções lubrificantes ou lágrimas artificiais só devem ser usadas conforme orientação de profissional de saúde, principalmente quando houver dor, secreção ou alteração na visão.
Use solução salina nas narinas
O soro fisiológico pode ajudar a manter as narinas umedecidas e aliviar o desconforto causado pelo ar seco. A aplicação deve seguir as orientações da embalagem ou de um profissional de saúde. Sangramentos nasais frequentes, intensos ou persistentes precisam ser avaliados.
Cuidados com crianças, idosos e pessoas doentes
Crianças pequenas e idosos podem ter mais dificuldade para perceber ou comunicar sinais de desidratação. Familiares e cuidadores devem oferecer líquidos em intervalos regulares, observar o estado geral e evitar que essas pessoas permaneçam por longos períodos sob o sol ou em locais muito quentes.
Pacientes com asma, rinite, bronquite, doença pulmonar ou problemas cardiovasculares devem manter os medicamentos prescritos e evitar mudanças no tratamento por conta própria. O tempo seco pode agravar sintomas, mas a suspensão ou alteração de remédios sem orientação médica também oferece riscos.
Em ambientes escolares, de trabalho ou de atendimento ao público, é recomendável manter os espaços ventilados, reduzir a presença de poeira e fazer a limpeza preferencialmente com pano úmido, evitando levantar partículas no ar.
Como reduzir a exposição à fumaça e à poeira
A baixa umidade deixa a vegetação e o solo mais secos, o que facilita a suspensão de poeira e a propagação de incêndios. A população não deve queimar lixo, folhas, entulho ou restos de poda. Bitucas de cigarro também não devem ser descartadas em terrenos, margens de rodovias ou áreas de vegetação.
Quando houver fumaça, a recomendação é reduzir a permanência ao ar livre, fechar portas e janelas durante os períodos de maior concentração e evitar atividades físicas. Pessoas com doenças respiratórias devem redobrar a atenção e procurar orientação caso os sintomas se intensifiquem.
A fumaça pode irritar os olhos e as vias respiratórias mesmo quando o fogo está distante. Crianças, idosos e animais domésticos também devem ser mantidos longe de áreas atingidas por queimadas.
Quando procurar atendimento médico
O desconforto provocado pelo tempo seco costuma ser leve e temporário, mas alguns sinais exigem avaliação. É importante buscar atendimento em caso de falta de ar, chiado no peito, dor torácica, desmaio, confusão, fraqueza intensa, febre persistente, piora de doença respiratória ou sangramento nasal que não cessa.
Em situações de emergência, a pessoa deve procurar imediatamente um serviço de saúde ou acionar o atendimento de urgência disponível na sua cidade. Não é recomendável esperar a evolução dos sintomas quando houver dificuldade para respirar ou alteração do nível de consciência.
Onde acompanhar os avisos meteorológicos
Os moradores podem consultar os avisos emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia, que informa as áreas afetadas, os índices previstos e o período de validade de cada alerta.
Também é possível acompanhar orientações da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul e da Defesa Civil de Mato Grosso do Sul. As informações oficiais ajudam a diferenciar uma condição localizada de um episódio mais amplo de calor e baixa umidade.
Como a umidade pode mudar ao longo do dia, a prevenção deve fazer parte da rotina durante todo o período seco. Beber água, evitar exposição prolongada ao calor, cuidar do ambiente doméstico e proteger os grupos mais vulneráveis são medidas simples que reduzem os impactos do tempo seco em Mato Grosso do Sul.








